Nesse documentário criado por alunos da Escola Antônio Valadares de Terenos/MS, com vozes de diversos personagens, apresentam o maior projeto cultural do município. Nele, membros da Cultura Nacional, professores e alunos, depoem sobre o Projeto Vivarte e seu processo histórico com foco no ano de 2019 em sua 16° edição.

2019

um ano de recomeços e perpetuação

O projeto Vivarte e as quatro linguagens da arte inserido a partir de 2020 no projeto político pedagógico da escola Antônio Valadares situada na cidade de Terenos, MS. O projeto Vivarte as multiculturas e o carnaval, começou a ser construído na primeira  jornada pedagógica. Apresentamos o tema e a proposta de desenvolvimentos do projeto aos demais professores. feito o  convite para os professores da área de linguagens e tecnologias  do ensino médio  para participar juntos  no  desenvolvimento do projeto. Ficou resolvido que participariam fazendo contextualização de seus conteúdos ao tema.  E na fase da  avaliação das atividades seria considerado a participação do estudante e as produções. No decorrer do projeto apresentamos também as metas de aprendizagem na reunião da família na escola e finalmente aos alunos no inicio das aulas.

Todos os anos na Jornada pedagógica que acontece sempre no início do ano letivo, a professora Marisa Gonzaga apresenta a temática do projeto que será desenvolvido ao longo do período.

 

Em 2019, a professora apresentou seu planejamento prévio e os principais objetivos a serem alcançados com o projeto. Em seguida foi feito o convite para os professores da área de linguagens e tecnologias do ensino médio para participarem juntos no desenvolvimento das ações. Ficou decidido que os mesmos participariam fazendo contextualização de seus conteúdos ao tema. Na fase da avaliação das atividades seriam consideradas a participações dos estudantes. E as produções executadas, fariam parte da exposição final. Em reuniões com a equipe pedagógica, eram combinados: horários de encontro contra turno com alunos, documentações e a integração do projeto VIVARTE nas ações do projeto político pedagógico da escola. O que sempre acontecia nos sábados separados para discussão. As reuniões eram computadas em hora atividade. Já na primeira reunião familiar na escola, aconteceu a apresentação da proposta do projeto.

Portanto, o projeto passa a ser visto como uma ação importante para a aprendizagem do aluno e as questões interdisciplinares que envolvem a proposta da escola. Com o início do ano letivo a proposta é apresentada aos alunos no início do bimestre

 

O projeto VIVARTE em 2019 alcançou sua 14º edição com enfoque nas questões afro indígenas e das minorias. Tendo a participação de alunos, professores pais e comunidade. e de como será direcionada até o final do ano em cada turma do ensino médio. Importante lembrar que, o projeto é flexível e pode sofrer alterações de data de culminância. Porém o que não se altera é o bimestre de sua realização, sempre no quarto.

O ponto de partida do projeto em 2019 foi a necessidade de promover a integração das diversas matrizes culturais presentes na realidade local e na comunidade escolar, através de diversas expressões artísticas, todas apresentadas por alunos do ensino médio da E.E. Antônio Valadares.

Todo a integração é embasada no protagonismo juvenil através da fomentação de pesquisa, considerando todo patrimônio material e imaterial conectados ao lugar onde vive e seus diversos saberes.

Depoimentos sobre o Projeto Vivarte.

O ponto de partida do projeto em 2019 foi a necessidade de promover a integração das diversas matrizes culturais presentes na realidade local e na comunidade escolar, através de diversas expressões artísticas, todas apresentadas por alunos do ensino médio da E.E. Antônio Valadares. Todo a integração é embasada no protagonismo juvenil através da fomentação de pesquisa, considerando todo patrimônio material e imaterial conectados ao lugar onde vive e seus diversos saberes. Incentivando o sujeito a ser o principal agente da pesquisa, produção e execução do projeto, estudando a temática valoração de suas habilidades e de produções culturais. Assim, propiciando a troca de conhecimento e de distintas maneiras para promover o respeito à todas as manifestações pessoais, coletivas e de outros.

Além de promover a pesquisa considerando o uso de tecnologias como ferramenta de ligação entre culturas. Proporcionando aprendizagens e trocas de experiências, em 2019 o projeto propôs mediar a participação do aluno de forma que todos encontrassem no percurso da execução do projeto, seus interesses de ação e suas maneiras de contribuir para que a escola se torne um ponto de cultura constante.

Além de incentivar a integração de diversas matrizes culturais presentes na realidade local através de expressões artísticas e de autoria dos alunos, propôs a usufruir das possibilidades culturais promovidas na escola através da troca, produção e demonstração de habilidades artísticas em suas diversas linguagens.

E por fim, demonstrar à comunidade a importância da preservação e reconhecimento do espaço escolar, sabendo ser um lugar que promova a aprendizagem, integração, respeito e afetos do ser humano através do fomento da arte e da cultura.

É fundamental que através do ensino da Arte em sala de aula e no ambiente escolar, seja apresentado e discutido o respeito a diversidade constituída pelos colegas de sala ou do entorno. Quando falamos de cultura e da diversidade, a impressão que se tem é que trata-se de um assunto distante de nossa realidade interiorana. Consideramos que o fato que contribui para esse pensamento é o de que na maioria destas cidades, não exista um incentivo ou reconhecimento de uma cultura genuína brasileira oriunda de nossas raízes indígenas e africanas ou de quem de alguma forma constrói essa cultura. Visto que, na maioria destes lugares é na escola que acontecem manifestações culturais. Dito isso, concordamos com Suzuki que define muito bem essa condição.

Dito isso, concordamos com Suzuki que define muito bem essa condição. Se fez necessário que a educadora tivesse em mente ao construir o projeto com essa temática, o quão é importante propiciar ao seu aluno um ambiente que desenvolva em seus docentes o respeito à diversidade, mediando esse caminho através do incentivo de um espirito coletivo e embasado no respeito e cidadania. Adquirir essa postura não é um caminho suave pois requer do próprio professor uma libertação em relação aos paradigmas infiltrados em sua formação acadêmica constituída certamente por uma visão europeizada da arte e da própria cultura, onde sempre a história é contada pelo viés do colonizador, que no nosso caso é a Europa dos brancos. Corroborando com nosso pensamento citamos Suzuki,2018, que diz em seu artigo:

Portanto, aponta-se a necessidade de explorar outras estratégias e saberes educativos que tratem da educação como cultura e da cultura como educação, para que os professores possam criar/experimentar novas pedagogias que promovam o necessário exercício da alteridade na prática da diversidade”.(SUZUKI, Clarissa In Anais do 27o Encontro da Associação Nacional de Pesquisadores em Artes Plásticas, 27o, 2018, São Paulo. p.3131-3143 3136)

Clarissa Suzuki, mestre em Artes pela USP.

Portanto, Participar de cursos de capacitação e formação ampliaram nova visão e se fez fundamental para trazer o assunto sobre multiculturas ao ambiente escolar, também o fato de entrar em contato com autores sobre esses assuntos e novas abordagens de ensino da arte, chegamos ao tema de 2019 no Projeto VIVARTE: As Multiculturas e o Carnaval.

“Ensino da arte na escola tem como premissa o desenvolvimento da capacidade crítica dos alunos para a leitura de uma construção estética pois o desenvolvimento artístico de uma sociedade esta relacionado não apenas à produção de qualidade, mas também da alta capacidade de entendimento desta produção pelo publico capaz de decodificar a obra ou o campo de sentido de arte...pois saber interpretar uma imagem está intimamente vinculado a este crescimento cultural” ( Barbosa, 1998,p.32)

Aluno do projeto, apresentando.

Experienciar uma outra forma de prática docente foi um grande diferencial no projeto VIVARTE Multiculturas e o Carnaval, devido ao contato em uma capacitação com a professora Anaméllia Bueno Buoro, que discorre sobre a temática Carnaval e embasou sua prática na metodologia desenvolvida pelo professor Antoni Zabala, que propõe ser o aluno, o principal agente de sua aprendizagem, constituindo a pesquisa e os projetos um caminho para a autonomia da construção do próprio conhecimento.

Mural de exposição.

Camiseta do projeto.

Ipês. Pintura em tela com botões.

Todo o processo metodológico foi definido após uma avaliação diagnóstica de aprendizagem e o que se pretendia aprender. Por isso a cada etapa concluída em sala de aula, foram realizadas rodas de conversas, o que deu a professora a percepção da aprendizagem. Na pesquisa de autoria as auto avaliações feitas em grupo contribuíram  para a construção de  uma aprendizagem significativa. Embora a avaliação seja um processo inacabado que depende de diversos fatores, a relevância do processo não é o produto final.  O despertamento para a  liberdade de criação sempre  voltada   para a expansão e apropriação do eu cultural e interação com o outro. Preparando assim o estudante para um processo de valoração da sua identidade étnico racial e cultural e seu poder de atuação gerado na autoestima de alguém que se percebe ser sócio cultural e histórico de um lugar. Certamente foi um dos pontos mais relevantes no processo. Consideramos que o projeto Vivarte 2019 as Multiculturas e o Carnaval atingiu suas metas de aprendizagem seguindo o seguinte planejamento:

1° Bimestre: Meses de Fevereiro, março e abril.

  1. Apresentação do tema.

  2. Levantamento das questões

  3. Construção de hipóteses em rodas de conversas.

  4. Pesquisa de autoria, seminário avaliação o objetivo seria promover a pesquisa considerando o uso de tecnologias como ferramenta de ligação entre culturas.

2° Bimestre (Maio, junho, Julho)

No segundo bimestre o objetivo principal era mediar a participação do aluno de forma que todos encontrassem no percurso da execução do projeto seu interesse de ação. No início das aulas fizemos uma revisão sobre o que tínhamos produzido no bimestre anterior e fizemos um registro das hipóteses embasados em alguns questionamentos:

  • Porque o carnaval é importante para a cultura brasileira?

  • Você se sente representado no carnaval das escolas de samba?

  • O que você acha do carnaval?

  • O carnaval gera emprego e renda?

3º Bimestre (Agosto, setembro e outubro).

Para esse bimestre, as metas foram:

  1. Elaboração de conclusões/ avaliação coletiva/ adesão do aluno para grupos das tarefas práticas.

  2. Revisão metodológica.

  3. Apresentação de seminários de pesquisa /avaliação e auto avaliação.

  4. Exposição.

4º Bimestre (Novembro e dezembro)

Etapas:

  1. Recolha dos trabalhos.

  2. Exposição dos vencedores

Reunião, projeto Vivarte.

Em meados de março de 2019 após os primeiros contatos com as turmas, começamos a trabalhar o tema Multiculturas, primeiro trazendo para as aulas dinâmicas de leitura em grupo e apresentação de conclusões e registro de mapa conceitual referente ao assunto. Um dos recursos usados em sala de aula para trazer os assuntos foram vídeos. Usamos aulas do professor Eduardo Bueno. O primeiro explica a história das favelas e depois sobre a história do carnaval.

Ao assistir esse vídeo em sala de aula começamos a criar hipóteses sobre o carnaval no Rio de Janeiro especificamente as escolas de samba. Perguntei as turmas sobre quais assuntos gostariam de falar referente ao carnaval. Os principais temas estavam ligados às mulheres, as fantasias, qual a finalidade do carnaval e como eram as escolas de samba. Percebemos então que havíamos dado um passo importante, havíamos despertado o interesse sobre o assunto.

Em abril de 2019 em roda de conversa trouxe para a sala de aula dois vídeos para incentivar o interesse pela pesquisa. Através das conclusões em roda de conversa assistimos algumas manifestações artísticas que tratassem do assunto. Com a performance Bombril e a História de mulheres negras no Brasil.

Para finalizar o bimestre foi solicitado um trabalho. Os grupos deveriam apresentar uma pesquisa sobre minorias e fazer uma apresentação artística sobre o assunto. O primeiro resultado destas discussões e atividades foram apresentados em sala de aula e a seguir podemos ver os exemplos desta aprendizagem. Nas imagens a seguir alguns exemplos das produções que foram apresentadas em três importantes momentos no calendário da escola. O primeiro na avaliação do primeiro bimestre que tratava sobre as minorias, na semana de consciência negra com as professoras Cristina da disciplina de História e Marisa, professora de arte, na culminância do projeto VIVARTE 2019.

Depoimento da aluna Maria Luiza.

Para finalizar o bimestre foi solicitado um trabalho. Os grupos deveriam apresentar uma pesquisa sobre minorias e fazer uma apresentação artística sobre o assunto. O primeiro resultado destas discussões e atividades foram apresentados em sala de aula e a seguir podemos ver os exemplos desta aprendizagem. Nas imagens a seguir alguns exemplos das produções que foram apresentadas em três importantes momentos no calendário da escola. O primeiro na avaliação do primeiro bimestre que tratava sobre as minorias, na semana de consciência negra com as professoras Cristina da disciplina de História e Marisa, professora de arte, na culminância do projeto VIVARTE 2019.

Depoimento avaliativo da aluna Maria Luiza sobre sua participação no Vivarte.

Para finalizar o bimestre foi solicitado um trabalho. Os grupos deveriam apresentar uma pesquisa sobre minorias e fazer uma apresentação artística sobre o assunto. O primeiro resultado destas discussões e atividades foram apresentados em sala de aula e a seguir podemos ver os exemplos desta aprendizagem. Nas imagens a seguir alguns exemplos das produções que foram apresentadas em três importantes momentos no calendário da escola. O primeiro na avaliação do primeiro bimestre que tratava sobre as minorias, na semana de consciência negra com as professoras Cristina da disciplina de História e Marisa, professora de arte, na culminância do projeto VIVARTE 2019.

Apresentação em Power Point. Clique aqui.

PRODUÇÕES VIVARTE

Copo produzido pelos alunos.

PRODUÇÕES VIVARTE

Painel instagramável.

PRODUÇÕES VIVARTE

Copo, verso.

PRODUÇÕES VIVARTE

Painel instagramável.

Vestido criado pelo projeto.

Painel e poesia de Geilson do 1° ano E do Ensino médio.

Para finalizar o bimestre foi solicitado um trabalho. Os grupos deveriam apresentar uma pesquisa sobre minorias e fazer uma apresentação artística sobre o assunto. O primeiro resultado destas discussões e atividades foram apresentados em sala de aula e a seguir podemos ver os exemplos desta aprendizagem. Nas imagens a seguir alguns exemplos das produções que foram apresentadas em três importantes momentos no calendário da escola. O primeiro na avaliação do primeiro bimestre que tratava sobre as minorias, na semana de consciência negra com as professoras Cristina da disciplina de História e Marisa, professora de arte, na culminância do projeto VIVARTE 2019.

No segundo bimestre o objetivo principal era mediar a participação do aluno de forma que todos encontrassem no percurso da execução do projeto seu interesse de ação. No início das aulas fizemos uma revisão sobre o que tínhamos produzido no bimestre anterior e fizemos um registro das hipóteses embasados em alguns questionamentos:

  • Porque o carnaval é importante para a cultura brasileira?

  • Você se sente representado no carnaval das escolas de samba?

  • O que você acha do carnaval?

  • O carnaval gera emprego e renda?

Neste bimestre apresentei aos alunos letras de sambas enredo das escolas do grupo especial do Rio de Janeiro. Que tratavam sobre assuntos relacionados as questões levantadas até então. Por tratar-se de um assunto novo houve necessidade de sugerir alguns sambas. Porém deixamos os grupos livres caso quisessem pesquisar ou conhecer outros sambas. Foram eles:a

Paraíso do TUIUTI.
- Meu Deus, Meu Deus, Está Extinta a Escravidão? 

Mangueira

- Samba para ninar gente grande.

Imperatriz Leopoldinense

- O clamor que vem da Floresta.

No final do 2º bimestre realizamos o seminário que intitulamos Pré-VIVARTE com a presença de colegas de outras turmas e dos pais, bem como a do coordenador e diretores. Nessa etapa trabalhamos em conjunto com as professoras de língua portuguesa Angela e Nayara Pael, que aproveitaram para desenvolver técnicas de escrita com as turmas, fazendo a revisão dos textos a serem apresentados. A escolha pelo período inverso se deu para que o aluno sentisse tranquilidade na hora de apresentar e não tivesse preocupação com o tempo de aula e para os pais poderem assistir. O pré VIVARTE teve duração de uma semana com 12 turmas. A avaliação desta etapa também conta com a participação efetiva do aluno. A somatória da nota foi feita da seguinte forma: Nota da professora mais nota do grupo dividido por dois. Com a finalidade de tentar desconstruir uma ideia dominante onde só um detém o poder de avaliar. Pois aquele que participou de todo a construção da pesquisa e da apresentação sabe valorar a participação do colega. Além de eles sentirem-se valorizados costumam ser muito honestos em seus pareceres.

Apresentação sobre samba enredo da Mangueira. Maria Luiza, Fabrício  e Maria Rita.

Apresentação, evento Pré-Vivarte. Grupo 3.

Apresentação, evento Pré-Vivarte. Grupo 2.

Apresentação, evento Pré-Vivarte. Grupo 4.

Grupo 3° ano médio, que demonstrou no seminário as fantasias e seus significados. E a liberdade de expressão e a alegria no carnaval. Foram avaliados também na disciplina de Química professora Leonice Favarão.

Apresentação, evento Pré-Vivarte. Professores dialogam com alunos sobre os trabalhos.

Apresentação, evento Pré-Vivarte. Depoimento de mãe de aluna.

Após as apresentações, como ocorreu em todos os momentos do projeto, uma roda de conversa entre alunos, professores, coordenação escolar e núcleo familiar.

No início do terceiro bimestre os objetivos a serem alcançados são relacionados a ações que proporcionem a participação do aluno de forma que todos encontrem no percurso da execução do projeto seu interesse de ação e sua maneira de contribuir para que a escola se torne um ponto de cultura constante. Incentivar a integração de diversas matrizes culturais presentes na realidade local através de expressões artísticas e de autoria dos alunos para que todos possam vivenciar e usufruir das possibilidades culturais promovidas na escola através da troca, produção e demonstração de habilidades artísticas em suas diversas linguagens.

 

Nestas etapas aconteceram ações que garantiram a participação de todos os alunos de alguma forma no projeto seja, na organização, divulgação, logística, produção ou apresentações. Importante que para o aluno sinta-se parte fundamental do projeto e de sua própria história.

Cada aluno deveria escolher onde queria participar e entrar no grupo do aluno líder da ação, independe da turma, pois, podendo ainda participar de mais de uma atividade. Por exemplo: Pode cantar e organizar o espaço. Formadas as equipes fizemos a primeira reunião para decidir onde, como e quando seria a data da culminância do evento.

Nesta etapa participaram os lideres: Equipes da divulgação, convites, logística, curadoria, decoração, culinária, produção dos vestidos e apresentações culturais. Usamos o recurso do what´sApp para comunicação e em nosso planejamento determinamos datas para concluir as tarefas. Para a equipe de logística é fundamental criar possibilidades para que ao usufruir das possibilidades culturais promovidas na escola através da troca, produção e demonstração de habilidades artísticas em suas diversas linguagens eles sintam-se produtores e artistas.

Neste ano iriamos precisar de muitos cavaletes para expor os desenhos que passaram de cem unidades a equipe de logística foi formada por alunos principalmente da área rural que tinham facilidade de manusear serrotes, martelos, e de alunos que gostam desse tipo de trabalho. A matéria prima para construir as peças foram os bambus. As equipes se organizaram e fizeram parte dos cavaletes em aula de arte e no horário que ficavam na escola ociosos esperando o transporte para voltar para casa. Sem essas peças nossa exposição seria comprometida. Nestas imagens podemos ver com destaque o trabalho artesanal e sugestivo que ficou os cavaletes com bambus. Material comum em nossa comunidade e do qual os alunos muito se orgulharam. Ao refletirmos sobre o trabalho eles descobriram uma possibilidade artística com o material.

Equipe de divulgação, apresentou numa live da Rádio comunitária Vitória FM o projeto Vivarte 2019, e junto com a produção e grêmio estudantil, organizaram o concurso de desenhos para camisetas do VIVARTE. Lembrando que esta ação aconteceu desde de 2009 até 2019. Os três primeiros lugares escolhidos pelos alunos e professores através de voto secreto. O primeiro lugar recebeu uma camiseta com seu desenho estampado, um banner e kit de arte. Segundo e terceiro lugar, banners e kits de arte. A premiação aconteceu no dia do evento. O aluno vencedor foi Felipe Silva do 1° ano A. As imagens demonstram na camiseta o desenho vencedor.

Cavaletes criados pelos alunos do projeto Vivarte.

Desenhos que concorreram no concurso.

Capa do convite, idealizado pelos alunos.

Professora Marisa Gonzaga veste a camisa do vencedor do concurso.

Apresentação e convite para o Projeto Vivarte 2019 na Rádio Vitória FM.

Apresentação do projeto Vivarte 2019 na rádio Vitória FM.

Já no quarto bimestre a equipe da curadoria já estava recolhendo os trabalhos de desenho, fotografia e pintura e catalogando. Os desenhos foram com diversas temáticas de multicultura até as questões de museologia com os carros antigos do Luan 1 ano F noturno, os mangás e heróis da cultura japonesa de Lucas 4º ano e Felipe do médio, a religiosidade e homenagem a mulher de Maria Luiza 1 D e a fauna e flora pantaneira e o carnaval.

O encerramento do projeto aconteceu em outubro de 2019 e desta vez foi na quadra da escola pois o número aguardado de público era maior que o que abriga o anfiteatro Ramez Tebet. O evento contou com exposições dos trabalhos e atividades culturais, o Vivartinho  e o desfile de vestidos construídos com material reciclável remetendo a ideia das escolas de samba que reaproveitam materiais para fazer suas alegorias e fantasias e que em suas letras de samba enredo trazem assuntos relacionados as questões multiculturais.  

Cada sala deveria apresentar um ou mais modelos de vestidos e para incentivar a produção tínhamos uma mesa de jurados assim como acontece nas escolas de samba e a sala que pontuasse melhor seria convidada para um rodizio de pizza oferecido por um parceiro da cidade.

Os vestidos foram confeccionados tendo como base o TNT e materiais recicláveis. Acreditamos que o fato desse material ter sido reaproveitado demonstrou o valor que temos que dar aos heróis de barracão que fazem o Brasil entrar para o ranking de maior espetáculo do planeta. A principal mensagem seria que a beleza é advinda do entendimento e do empoderamento da cultura e da história. A seguir algumas fotos do evento. Note que os jurados receberam lembrancinhas do evento. As bonecas produzidas no primeiro bimestre. A aluna que apresentou o evento naquele ano foi Laiane Mota que integra o grupo Canto a quatro.  

No dia seguinte ao evento durante o dia  a exposição ficou  disponível para receber  visitas de outras escolas. Esta ação é intitulada de Vivartinho e aconteceu em todas as edições de 2010 até 2019. Os alunos do ensino médio voluntariamente participaram com as crianças da pré escola do periodo vespertino e das turmas visitantes com oficinas de arte. Foram três ações destacadas.

  1. Oficina de desenho com fundamental com os alunos cooperadores apresentadas no evento. Os alunos do Ensino médio levaram a proposta  sobre multiculturas para os alunos do ensino fundamental  e pediram para que eles produzissem desenhos com essa temática.

2. Visita de outras escolas e oficinas de história dos vestidos, desenhos e releituras e poesia. OFICINA DE DESENHO DE RELEITURA E POESIA PARA ALUNOS DA PRÉ ESCOLA. Aqui durante a visitação de outras escolas os alunos do ensino médio fizeram oficinas explicando o sentido do projeto e aplicando atividades de desenhos para os mesmos. A turminha da professora Erica CEMEI Santa Ana também nos visitou.

3- VIVARTINHO ALMOÇANDO COM ARTE.  A escola antonio valadares atendia o ensino integral e a professora Silvia Gladys organizava a biblioteca e atividades de lazer no intervalo do almoço das crianças. As alunas Lorrayne e Crislayne do 3 ano C foram voluntárias no projeto . A primeira apresentação foi na feira do conhecimento da escola e depois na culminancia do projeto VIVARTE 2019 pois era uma ação do projeto. As crianças explicaram sua pesquisa vestidas com roupas de personagens e pintores da história. Projeto Almoçando com Arte - Feira do Conhecimento.

 

AVALIAÇÃO DO PROJETO E DA PROFESSORA

O ponto de partida do projeto foi a necessidade de em 2019 promover e a integração de diversas matrizes culturais presentes na realidade local e na escola através de expressões artísticas apresentadas por alunos do ensino médio da E.E. Antônio Valadares. Considerando o protagonismo juvenil, através da fomentação de pesquisa sobre patrimônio material e imaterial conectados ao lugar onde vive e seus diversos saberes. Incentivando o sujeito a ser o principal agente da pesquisa, produção e execução do projeto estudando a temática valoração de suas habilidades e de produções culturais locais. Propiciando a troca de diversas informações de maneira a promover o respeito por todas as manifestações artísticas pessoais, coletivas e de outros. O papel do professor de arte na escola é também social pois, acreditamos que o sentimento de pertença se enraíza a partir do momento em que o indivíduo se sente parte do contexto e sinta-se representado nele. Conservar um patrimônio vai além dos monumentos. Ao refletirmos sobre o trabalho eles descobriram possibilidades artística, material e uma visão econômica da arte e do carnaval. Dissipar a ideia da arte exposta apenas em museus é muito importante para a valorização da disciplina na escola, incentivar o sujeito a reconhecer-se como um fazedor de arte e cultura liberta e emancipa, mas também ensina respeito e tolerância a manifestações de outros.  Importante ainda dizer que tratar a produção do aluno como algo único e com respeito ao expô-las desperta o sentimento de preservação e eleva a autoestima, pois, ele se vê representado e respeitado ao demonstrar suas ideias e conceitos.  Conduzir um trabalho onde a pesquisa partiu do aluno foi muito desafiador e ao mesmo tempo incrível pois, demonstra e prova o quão nossos jovens são potentes e capazes. Realizar um evento como o Vivarte desde sua idealização até a produção deixou implícita o quão é urgente ouvir o que o aluno e sua história tem a dizer. E isto foi demonstrado com excelência em todo decorrer do projeto. Considerando todos os aspectos, inclusive as naturais dificuldades do percurso, podemos dizer que nossos alunos vivenciaram as possibilidades estéticas e históricas do carnaval no Brasil. E um dos pontos mais relevantes na aprendizagem é que houve mudança de olhar, agora o aluno se vê no carnaval que parece tão distante. E respeita esta que é uma das manifestações culturais mais lindas e de resistência de um povo que tem a possibilidade de recontar sua história. Quanto à nossa aprendizagem podemos dizer que a principal foi acrescentar em nossa prática as ideias de Buoro e a metodologia de Zabala autores que conheci ao participar da capacitação Aprendendo com arte. Além da capacitação tivemos que estudar para realizar e aplicar a metodologia. Consideramos que a confiança no potencial do aluno saiu ainda mais fortalecida depois do Vivarte 2019. Concordando com a afirmação do mestre Paulo Freire que diz: 

“Daí a necessidade de uma educação corajosa, que enfrentasse a discussão com o homem comum. De uma educação que levasse a uma nova postura diante dos problemas do seu tempo e do seu espaço. A da intimidade com eles. À da pesquisa ao invés da mera, perigosa e enfadonha repetição de trechos e de afirmações desconectadas das suas condições mesmas de vida. A educação do Eu me maravilho, e não apenas do Eu fabrico. A vitalidade ao invés daquela que insiste na transmissão de ideia inertes”.(PAULO FREIRE, 2003 p.101)O engajamento e o envolvimento do aluno no projeto foi muito contundente. A aprendizagem sobre a cultura do lugar e a do outro ter entendimento que estão interligadas através dos temas e assuntos é um grande passo para a construção de uma sociedade mais tolerante e generosa. E essa construção pode acontecer através de uma educação patrimonial que envolva a cultura o respeito e a identidade étnico e racial de cada um. A escola é um lugar propicio para fazer cultura pois abriga diferenças e pessoas potentes. Acreditar na educação emancipadora perpassa por uma convivência que estimule o jovem a perguntar, investigar, propor e aprender exercitando a cultura e a arte.

 

Ver avaliaçãos dos alunos.

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